Abra o álbum de qualquer festa infantil e faça um teste. Procure a mãe.
Você vai encontrar a criança em cada página. Os convidados. O bolo de todos os ângulos. E, se procurar com atenção, vai achar a mãe em pouquíssimas, de costas, servindo, cortando, resolvendo. Quase nunca olhando pra câmera. Quase nunca no centro.
Ela é a primeira a fotografar e a última a ser fotografada
É ela quem documenta tudo o ano inteiro. O primeiro passo, o primeiro dente, a primeira papinha. Ela tem milhares de fotos do filho. Mas quando o filho crescer e quiser uma foto dos dois juntos naquele dia, vai encontrar muito pouco.
Não é descuido. É que ela estava sempre do outro lado da câmera, organizando, garantindo que todo mundo estivesse bem, fazendo a festa acontecer. O preço silencioso disso é a própria ausência no registro.
O que isso significa lá na frente
Daqui a vinte anos, esse menino vai folhear as fotos da infância. E vai procurar a mãe nelas — não a mãe perfeita, posada, arrumada. A mãe real, presente, do jeito que ela era naquele dia caótico e feliz.
Se ela não estiver lá, não é só uma foto que faltou. É a prova de que ela esteve presente que ficou de fora.
A virada
Por isso, em toda festa, existe um trabalho que ninguém pede mas que importa demais: caçar a mãe. Não para posá-la. Para que ela exista nas fotos do próprio filho.
Ela passou o dia inteiro cuidando para que todo mundo fosse lembrado. O mínimo é garantir que ela também seja.